SciELO Livros

Editora UnB

 

Deus salve a rainha e evite engarrafamentos: textos de jornalismo cultural

Synopsis

“Muito se fala em “jornalismo literário”, como se a segunda condição tornasse a primeira mais nobre, e como se a primeira ajudasse a segunda a se tornar mais “popular”, coloquial. Não parece algo que tire o sono de Ademir Assunção: ele não concebe a escrita a partir de um cânone, de uma idealização, de uma vontade externa, mas de sua própria inquietação. Ele também não teme a verdade — e ele a busca em qualquer lugar, seja no morro com Bezerra da Silva, seja caminhando pelas ruas de Porto Alegre a bordo de Mário Quintana. Ademir também escreve ficção, e os pressupostos — não as ferramentas — são parecidos com os de seu jornalismo. Em janeiro de 2004, com Adorável criatura Frankenstein, esculachava os ritos de legitimação de ídolos, marqueteiros, intelectuais e modelos-atrizes-apresentadoras do circo midiático brasileiro. Ele parece crer que a literatura (e também o jornalismo) age no mundo, muda o mundo e não está aí para fixar ou cristalizar as convicções, mas para sacudi-las, abalá-las, estremecer a árvore dos fetiches. O poeta beatnik Gary Snyder disse, certa vez, que a poesia é como um grande corvo sentado num fio de alta tensão, entre dois postes. “Ninguém presta atenção nela, mas ela vê tudo.” O jornalismo cultural praticado pelo Ademir é como aquele corvo do Snyder. Está lá, em todos os fios, com seu olhar escrutador. Os farsantes vão ficando pelos meios fios. Assunção vai enchendo todos os fios.”

Table of Contents

Front Matter / Elementos Pré-textuais / Páginas Iniciales
Umas palavrinhas sobre tudo isso
Ademir Assunção e o contraengarrafamento da linguagem
Apresentação — De algum lugar do Arquipélago Utopia
Subindo o Amazonas numa gaiola muito louca
Choque, suor e som: na estrada com os Titãs
Tudo zen no alto do morro
Estranhos no próprio corpo
O escritor da Pedroso
O último brasileiro
O anjo da asa delta
O anjo maldito
A beleza escrita a sangue
Beckett: do nada para o vazio
Quando a redoma de vidro se rompe
Leminski: dor e rigor em seus últimos poemas
A última viagem de Julio Cortázar
Heriberto Yépez renova poesia mexicana
Noites de terror
Um beijo depois do outro
Os prazeres da língua
O pau na literatura
Submundo do crime
Louca vitrine
Vírus no cérebro
A teimosia do detetive Pindaíba
Um sonho a menos
Recriando a rara poesia
Idade mídia: a era da manipulação
Com os dois pés na estrada
Roberto Arlt vai direto ao ponto da dor
A berinjela de Alá ao som de Prince
Hipersensibilidade em micropoemas
Ideias para oxigenar a cena cultural
Brodista, cheio de cachimana
Sant’anna satiriza os clichês urbanos
Fantini dá voz aos desajustados
A fratura exposta da linguagem
Musicalidade marca poesia de natureza
Do caos à lama: a lâmina quente de Bortolotto
Era uma vez...
Mínimo máximo incomum – o vírus
Luzes, câmera, ação
Um poema em linhas tortas
O fato é que eu me viro mais que picolé em boca de banguelo: Gilberto Gil – vinte anos-luz
Samba e rap na ótica enfezada dos sem nada
Tom Zé: um radical incansável
Alceu: um antropófago na tribo
Só é tonto quem quer
Encontro de bambas
Duelo de Titãs no país dos banguelas
A mais negra das vozes brancas
A picada dolorida de Lou Reed
A designer do som eletrônico
Imortais rebeldes do rock
O homem vestido com roupas de magnésio
Referências
Discografia
Anexos