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Educação superior e os desafios no novo século: contextos e diálogos Brasil-Portugal

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Synopsis

Apesar de terem chegado tardiamente à modernidade educativa, Brasil e Portugal têm conhecido um acelerado processo de massificação do ensino superior nas últimas três décadas. Embora com ritmos, tempos e contornos específicos, a verdade é que, desde meados dos anos 1970, quando se dá o primeiro impulso massificador em Portugal, até o começo desta década, o número de estudantes inscritos em instituições de ensino superior sextuplicou nos dois países. Não deixa de ser um paradoxo que, em pleno regime ditatorial, na década de 1960, ambos os países tenham assistido à implantação das bases de um modelo moderno de ensino superior. Inspiradas nas teses da teoria do capital humano, popularizadas à época, e nas reformas postas em marcha em vários países ocidentais, tanto a reforma brasileira da universidade de 1968 quanto a reforma portuguesa do ensino, iniciada no final de 1969 e instituída em 1973, tiveram como ambição promover a modernização tendencialmente democratizadora desse nível de ensino no interior de regimes políticos não democráticos. Hoje, os dois sistemas apresentam alguns contornos comuns e enfrentam desafios semelhantes. Por um lado, a sua estrutura expandiu-se e pulverizou-se pelo conjunto do território. Por outro lado, ambos os sistemas diversificaram-se e complexificaram-se grandemente, acrescentando novos subsistemas (centros universitários, faculdades, institutos tecnológicos federais, no caso brasileiro; institutos politécnicos, ensino superior militar e policial, no caso português) ao tradicional ensino universitário e abrindo as portas ao setor privado. Nesse sentido, pode-se sem dúvida afirmar que a paisagem educativa do ensino superior tornou-se mais opaca, uma vez que a enorme diversidade de instituições que hoje a compõem comporta ofertas muito variadas — em qualidade científica, técnica e pedagógica; e em modo de organização e funcionamento —, o que torna particularmente complexa a navegação no seu interior.

Table of Contents

Front Matter / Elementos Pré-textuais / Páginas Iniciales
Introdução: O que nos une, o que nos distingue…
Capítulo 1: Transformações recentes no ensino superior brasileiro
Capítulo 2: Transformações recentes no ensino superior português
Capítulo 3: Universidade de Brasília – a insistência da utopia
Capítulo 4: A Universidade de Brasília e o acesso ao ensino superior na área metropolitana de Brasília
Capítulo 5: Estudantes do 1º ano da Universidade de Lisboa – perfis sociais e trajetórias acadêmicas
Capítulo 6: Retomar os estudos, contrariar o destino? Análise do perfil dos estudantes do programa “Maiores de 23” na Universidade de Lisboa
Capítulo 7: Considerações sobre “motilidade” estudantil nos campi da Universidade de Brasília
Capítulo 8: Cidades e mobilidades – trajetórias estudantis em um campus da Universidade de Brasília (UnB)
Capítulo 9: A credenciação da “vocação” artística – valências da passagem pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa
Capítulo 10: Reconhecendo os atuais alunos da Universidade de Brasília – configurações de diversidade e assimetrias
Capítulo 11: Percursos acadêmicos de estudantes negras oriundas de escolas públicas – limitações da condição socioeconômica em cursos “de maior prestígio”
Sobre os autores